Entrevistas

Manuel Heitor: «A única solução de Portugal, de Espanha e da Ibéria é ter mais Europa e ter uma Europa com mais presença na Ibéria»

Tradução: Adrián Ramos

Manuel Heitor para JD 0

(Versión en español aquí)

Manuel Heitor é, desde 2015, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. Tem uma longa carreira académica como professor do Instituto Técnico Superior de Lisboa. É doutor em Engenharia Mecânica pelo Imperial College de Londres. Foi professor visitante em Harvard e Research Fellow da Universidade do Texas. Foi um dos co-fundadores da «Global Network for the Economics of Learning, Innovation and Competence Building Systems» (Globelics). Entre 2005 e 2011, foi Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

José Saramago, no seu livro La balsa de piedra, imagina um cenário em que a Península Ibérica rompe a ligação com a Europa e decide navegar sozinha pelo Atlântico em busca das suas raízes americanas e africanas numa espécie de “iberismo” navegável. Também se referiu a essa ideia ocasionalmente. Chegaríamos a bom porto ou perder-nos-íamos no Atlântico?

A ideia do Saramago é uma crítica social e quando escrevi esse artigo era, sobretudo, para a contrariar. Considero que a única solução de Portugal, de Espanha e da Ibéria é ter mais Europa e ter uma Europa com mais presença na Ibéria, mas, ao mesmo tempo, valorizar a sua posição relativa no Atlântico. Não é, obviamente, sair da Europa. É, exatamente, o contrário. Este é um contexto hoje muito interessante, penso eu, para Espanha, para Portugal e para a colaboração de ambos os países. 

Trabalhando em conjunto, Portugal e Espanha, certamente podemos contribuir mais para a Europa e isso pode fazer-se, quanto a mim, de duas formas principais: pela relação atlântica, mas também pelo espaço e pelas novas fronteiras do conhecimento. E se há quinhentos anos Portugal e Espanha se envolveram em grandes aventuras no desconhecido, penso que hoje já temos mais conhecimento para fazê-lo melhor e de uma forma mais sustentável e duradoura. E, obviamente, o reforço do posicionamento da Ibéria no Atlântico passa por ter-se uma estratégia conjunta muito clara, certamente com África e com a América Latina, mas também com os Estados Unidos e com a Europa de uma forma geral.

Como Air Center (Atlantic International Research Center)…

Exato, foi assim que criámos, entre outras estratégias, o Air Center, uma instituição em rede colaborativa internacional, para poder valorizar Portugal e Espanha no contexto atlântico, juntamente com outros países interessados (incluindo o Reino Unido, a Nigéria, a África do Sul e o Brasil, entre outros), mas olhando para novos desafios, sobretudo aquilo que pode ser hoje os sistemas de baixo custo integrando conhecimento, como a inteligência artificial com a informação por satélite. De facto, ao fim de mais de vinte anos de Portugal a participar na ESA (European Space Agency) e de a Espanha já participar há quase vinte e cinco anos, eu considero que hoje temos um desenvolvimento tecnológico e científico na área espacial que nos permite olhar muito mais para o Atlântico com informação de baixo custo por satélite.

Este artículo de nuestro archivo está completo para lectores registrados. Registrarse es gratis y solo lleva un minuto.

Regístrate gratis

SUSCRIPCIÓN MENSUAL

5€mes
Ayudas a mantener Jot Down independiente
Acceso gratuito a libros y revistas en PDF
Descarga los artículos en PDF
Guarda tus artículos favoritos
Navegación rápida y sin publicidad
 
 

SUSCRIPCIÓN ANUAL

35€año
Ayudas a mantener Jot Down independiente
Acceso gratuito a libros y revistas en PDF
Descarga los artículos en PDF
Guarda tus artículos favoritos
Navegación rápida y sin publicidad
 
 

SUSCRIPCIÓN ANUAL + FILMIN

105€año
Ayudas a mantener Jot Down independiente
1 AÑO DE FILMIN
Acceso gratuito a libros y revistas en PDF
Descarga los artículos en PDF
Guarda tus artículos favoritos
Navegación rápida y sin publicidad
 

Un comentario

  1. José Saramago, no seu livro La balsa de piedra, imagina um cenário em que a Península Ibérica rompe a ligação com a Europa e decide navegar sozinha pelo Atlântico em busca das suas raízes americanas e africanas numa espécie de “iberismo” navegável.

    Título original do livro: A jangada de pedra.

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

*